"Isabela só gosta desses livros e filmes em que as pessoas tem relacionamentos estranhos, que se amam e se odeiam ao mesmo tempo."

10 de agosto de 2017

dia dos pais

painho gosta de fazer pipoca
eu gosto de comer pipoca
e ler um livro
mas eu não quero que o livro fique
engordurado de pipoca
painho gosta de comer pipoca
eu gosto de ler um livro
painho gosta de ler um livro
eu de comer pipoca
ler um livro
e de painho

8 de agosto de 2017

2 de agosto de 2017

dúvida

enquanto estamos perdidas nessa imensidão de silêncio, eu penso em você
e me dá arrepio só de olhar aquela tua foto, porque é um absurdo como você é bonita
aí eu fico me perguntando tantas coisas e sei lá quando a gente vai se falar de novo














(este poderia ter sido um diálogo)

27 de julho de 2017

desterro

É complicado. Eu nunca mais havia escrito nada na minha vida. Agora já estou no terceiro texto pois preciso transformar tanto sentimento em alguma coisa. Isso é desde que eu te conheci. Eu sinto uma constante vontade de chorar, mas não é porque estou triste. São muitas descobertas que não cabem dentro de mim.

Eu nunca tinha parado para ler nada de Drummond, mas olha só onde estou. Isso é algo que eu gosto de repetir porque eu nunca pensei que pudesse estar aqui novamente. Minha mãe tem uma biblioteca enorme, com muitos livros, mas só tem um de Drummond. Por sorte achei um trecho do poema que eu queria te mostrar. Mas eu nem sei se você gosta de Drummond.

Eu descobri que ela tem muitos livros de Mia Couto. Como eu te disse. É muita descoberta. E eu te achei linda. E eu coloquei a mesma música para tocar muitas vezes. Porque ela é linda.

Eu passei a tarde toda pensando em você.
Mas a verdade é que muita coisa não faz o menor sentido. Eu fico me perguntando, por exemplo, de onde veio tudo isso que eu ando sentindo. Como se todo esse sentimento fosse uma coisa muito intrusa dentro de mim.

Eu não posso definir como “amor”. Amor é o que eu sinto pelo meu último namorado. Você é algo mais como.

Descoberta.

É como descobrir todos aqueles livros de Mia Couto na estante da minha mãe. Ou passar a tarde procurando uma poesia de Drummond.

Eu não sei mais de nada, mas quando estava na praia, pedi para que esse sentimento que mistura medo, alegria, dúvida e descoberta seja algo muito bom.

É muito bom estar de volta. E talvez isso seja muito mais sobre mim do que sobre você.

20 de julho de 2017

anita,

na noite em que a gente se conheceu, você só deixou comigo o livro que escreveu.

toda vez que eu sento na minha cama e leio as suas palavras, me sinto abraçada e com vontade de chorar. são lindas. eu penso: caralho. e não consigo pensar em mais nada.

mas isso ainda não é suficiente para cessar a minha vontade de você.

19 de julho de 2017

um cão dos diabos

eu te falei que tinha desistido de escrever sobre amor. até que você entrou pela porta e perguntou se eu já tinha comprado o ingresso praquele show que eu queria ir tanto. te disse que ainda não, que ia esperar até o fim do mês e você sorriu pra mim e balançou a cabeça.

eu te falei que tinha desistido, mas sai do meu quarto e dei de cara com você na sala, coberta como qualquer bicho que hiberna no inverno enquanto lia pela milésima vez o livro de leminski que eu tinha te dado há uns quatro ou cinco meses.

é, eu tinha desistido mesmo e então você olhou séria pra mim dizendo que aquelas palavras eram como abraços que protegem a alma e o corpo. você apontou para o papel e disse que aquele poema de leminski que falava sobre amor lhe lembrava um poema de drummond que falava sobre amor. eu te disse que todas essas coisas sobre o amor eram na verdade resumidas numa frase de bukowski.

eu tinha te falado muitas e muitas vezes que não escreveria mais nada sobre amor, mas olha só onde estou.

18 de maio de 2017

Sofia

A primeira coisa que eu reparei em você foram as covinhas que seu rosto ganhava toda vez que você sorria. Eu só precisei de duas semanas para me apaixonar por você, e talvez nem estivesse tão apaixonada assim.

Dessa vez, foi tudo muito diferente.

Você não escutava as mesmas músicas que eu, você não assistia os mesmos filmes que eu, nós não frequentávamos os mesmos lugares, nem nossas ideias caminhavam para mesma direção. Você ficava sempre surpresa quando eu dizia alguma coisa sobre mim, porque nada do meu mundo fazia parte do seu. Era absurdo que mesmo com todas essas diferenças, eu ainda quisesse conquistar qualquer coisa em você.

O que mais me deixava pensativa em relação a você não eram todas essas nossas diferenças, não. Você era uma menina, eu era uma menina e todos aqueles sentimentos acabavam se misturando com a incerteza de que aquilo pudesse ser muito ilógico para você. 

Viramos amigas. Me sentia meio perdida em todas as festas que você me chamava pra ir, mas pelo menos dançávamos juntas e bebíamos a noite inteirinha. Eu até me divertia vendo com você todas aquelas comédias românticas que te faziam chorar. Nessas horas, acho que nossas diferenças sumiam e era bom viver todos aqueles momentos ao seu lado.

Eu gostava de fazer carinho no seu cabelo, na sua pele, que vibrava toda vez que eu te tocava, e de ficar olhando você fazendo o que quer que fosse. Ao mesmo tempo morria de medo que você desconfiasse que na verdade eu estava mesmo apaixonada por você. 

Nós nunca nos beijamos. Você nunca descobriu.

Nossa amizade acabou abrindo espaço para novas pessoas, comecei a namorar um cara mais velho e você seguiu sua vida. De forma tão crua quanto estas palavras que te escrevo.

Agora parece que todas aquelas nossas diferenças são como abismos, Sofia.