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30 de setembro de 2011

Geração coca-cola

Alguns nos chamam de “geração perdida”. Para embelezar, recebemos até nomes de letrinhas do alfabeto. Somos a Geração Y. Frutos de uma geração pós-ditadura.

Por esse motivo, fomos criados tendo que engolir todo tipo de lixo que nos era enfiado goela abaixo pelas grandes massas que regem nosso querido Brasil. Assim, desviando nossos olhos para o que realmente importa.

Somos desprovidos de conhecimento político, mas sabemos quem ganhou aquela última edição do Reality Show e estamos apostando no clássico do domingo. Somos mesquinhos e egoístas, e como somos! Diariamente, o capitalismo vem estuprando a nossa sociedade, mas, quem se importa? Temos Panis et Circenses!

Somos isentos de cultura, a não ser aquela velha e boa cultura de massa, enlatada, vinda diretamente from USA. Ah! Essa é tão fácil de ser encontrada.

Bagaceira! Onde está José Américo de Almeida, as bibliotecas, os museus e Tarsila do Amaral? E quem viu Glauber Rocha e seu cinema marginal?! Evaporaram. Ou nós evaporamo-los?

Não sabemos mais é de nada.

19 de setembro de 2011

Retrato da mulher moderna

Soprou as trinta e sete velinhas do seu bolo. Estava ficando velha. Mal pode refletir sobre isso, mais uma rodada de Piña Colada chegava a sua mesa. Hoje o happy hour estava um saco. Já fazia um tempinho que o happy hour já não era mais happy.

Chegou em casa tarde. Hoje havia recebido tantos desejos de felicidades, esperava que realmente funcionassem. Sorriu e foi dormir. Acordou no meio do dia seguinte, com uma dor de cabeça fora de série. Preparou um café e um banho.

Enquanto se banhava, começou a refletir sobre esses trinta e sete anos de sua vida. Se sentiu só(rdida). Tinha vontade de se afogar naquelas gotinhas de água que caiam do chuveiro. Ela não tinha ninguém. Suas lágrimas somaram-se com as águas do banho. Salgadas.

Não importava que ela fosse a mulher mais respeitada da agência, nem que tivesse o carro mais caro do mercado e nem mesmo que transasse com o estagiário de vez em quando. Ela não era feliz. Tentou achar consolo na menina de vinte anos que ela foi um dia, aquela que fazia parte de um movimento feminista. Sorriu. Agora ela via que não fazia o tipo dela. Que toda aquela festinha comunista não passava de uma maneira de afogar as mágoas do grande amor da sua vida, que tinha ido embora.

Não que achasse impossível ser feliz ser ter alguém. Mas não era pra ela. Ela precisava de alguém. Precisava de dormir de conchinha e precisava de crianças correndo pela casa. Ela queria ser feliz. Estava cansada de ser quem era. A partir dali, seria uma mulher nova! Largaria a agência, iria viajar, conhecer lugares novos, um novo amor...

Em meio a planos pra o seu novo futuro, com o peito cheio de euforia, o celular tocou. Era o chefe dizendo que estava atrasada. Terminou o café e saiu correndo para o trabalho.

9 de agosto de 2011

Tom,

Depois que você chegou, por aqui é só alegria! Dormimos cantando e acordamos cantando. É impressionante a forma como você me faz feliz, seja com um sorriso pela manhã ou quando você me enche de beijinhos pelo resto do dia, você está sempre me fazendo contente.

E a melhor parte, Tom, é que eu nunca me sinto só, ou vazia; você está sempre ao meu lado, e assim, nos completamos. Isso é ótimo, Tom! É maravilhoso ter você aqui, comigo.

31 de maio de 2011

10 de maio de 2011

(para Tom)

Hoje eu não tive um dia bom, Tom.
Hoje eu me senti tão só, tão vazia. Não é bom se sentir só. Ninguém gosta de se sentir sozinho no mundo. Todo mundo tem carência, e eu então...
Também senti sua falta, Tom. Uma pena que a lentidão do mundo nos impeça de viver juntinhos. Aí sim, eu nunca ia me sentir só.

E cá fico eu e aí fica você, esperando até o dia em que a gente vai se encontrar pra tocar a nossa vida.
Ah! Você não vai escapar de mim nesse dia, Tom! Vou te encher de beijinhos e mimos, não vou te soltar por um segundo sequer.
Amo tanto você!

26 de janeiro de 2011

Quando eu era Lily Braun

Eu já fui borboleta, já fui Júlia, já fui Camila, já fui Clara e já fui Beatriz. Mas, de todas que já fui, a que mais gostei de ser foi Lily Braun.
Lily Braun não tinha segredos, não tinha mentiras e sorria de verdade. Lily Braun não sabia o quanto que era feliz. E quando era convidada pra sair, não precisava de mais nada.
Lily Braun sonhava... Adorava sonhar! Sonhava com coisas simples, mas tão belas.
Lily Braun tinha amigos, pai, mãe e uma boa reputação. O nome de Lily Braun nunca era desagradável de mencionar.
Lily Braun não podia voar e Lily Braun sabia disso.
Ai, que saudades eu tenho de ser Lily Braun.

Hoje, sou o que sobrou de todas que já fui um dia e sou também, grande parte de mim.

E sabe, crescer não é tão fácil como Lily Braun achou que fosse.

4 de dezembro de 2010

A primeira semana do mundo

"Criou Deus, pois, o homem à sua imagem" Gênesis 1:27.
Pode-se dizer que a humanidade tem início neste ponto. Ao menos, para grande maioria do mundo. Afinal, estamos diante do livro que rege muitas regras da sociedade há milhões de anos.

Porém, pode-se fugir da ideia comum de que fomos criados por um deus e partir para uma teoria onde se elimina esse deus e também, toda e qualquer ideia de criação intencional e definitiva, afirmando que a humanidade sempre esteve em constante mudança, evolução e transformação.

Para os que crêem nas ideologias biblícas, as implicações de tal teoria são arrasadoras, pois, se estiver correta, todas as ideias cristãs sobre o Universo e o lugar nele ocupado pelo homem serão destruídas. Desafiando assim, a visão religiosa da criação do mundo e até mesmo Deus, se é que isso é possível.

Mas, quando se coloca em pauta a humanidade e o tempo, surgem muitas perguntas e poucas respostas. E por mais que se procure entender, nunca se saberá ao certo desde quando estamos aqui e nem como surgimos. Até porque, a verdade é inalcançável.

3 de outubro de 2010

Do grego: Acrofobia

No topo da sociedade está a classe rica e parece que a elite sofre de acrofobia. Acrofobia é uma palavra de origem grega e significa “medo de altura”. E quando se tem medo de altura, evita-se ao máximo olhar para baixo. Se pararmos para pensar, é exatamente isso que a elite faz.

Na escada social, quem está no topo, pouco se importa com quem está degraus abaixo. Fecham os olhos para quem passa frio e fome. E as campanhas solidárias só são pra manter uma boa imagem.

Na verdade, não se importam com a menina que perdeu a casa com o rompimento da barreira e nem com o menino que pede esmola no sinal. Enquanto distribuem sorrisos, apertos de mão e uma falsa compaixão, estão mesmo é pensando nas suas partidas de golfe, nas férias no Caribe, ou no jantar que irão oferecer nas suas coberturas, no topo de um desses prédios luxuosos.

Mas é claro, sem ir até a varanda.

11 de fevereiro de 2010

Qual é o problema dos jovens de hoje? Perguntei a uma amiga, em quem ela ia votar, ja que ela tem dezesseis anos e pode tirar o título. Ela disse que não ia se preocupar com isso agora, que nem ia tirar o título de eleitor por enquanto. Porque?
De 1964 à 1985 vivemos numa repressão sem o direito do voto, não é mesmo? Lutamos muito para conseguir o direito do voto novamente. Lutamos muito para que as mulheres pudessem ter o direito do voto. Lutamos, sofremos, perdemos gente e conseguimos. E uma garota com seus recém completos dezesseis anos diz que não vai se preocupar em votar. Diz praticamente que não liga pra quem governa o País em que ela vive. Não tem noção de nada. O que é isso? É normal? Moderno? Pra mim é pura ignorancia. E não é só ela, são todos. Todos que ganham pão, todos que ganham circo. Todos ficam cegos. E quem liga? Nossa sociedade está perdida?

7 de fevereiro de 2010


"Na tua tela querem ensinar a fazer comida uma nação que não tem ovo na panela...
(que não tem gesto, quem tem medo assimila toda forma de expressão como protesto.)"
Xanéu Nº 5 - O Teatro Mágico

Isso não é uma crítica ao governo, nem ao programa. Acho que pode ser uma crítica à televisão em geral, à televisão e sua futilidade. Pode ser uma crítica a uma sociedade alienada também. Uma sociedade cujo a televisão emburreceu. Uma TV e suas novelas, uma TV e seus realitys shows, uma TV e a falta de cultura... Uma sociedade burra, uma sociedade sem voz, uma sociedade que faz tudo igual, sem nem saber o que ta fazendo... Acho que isso nem é uma crítica.