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18 de junho de 2021

joana

o final de semana tinha sido cheio de coisa. foto de comida, foto de parto, foto de casamento... não sei onde que eu ia achar tempo pra editar tanta coisa.

era quase oito da noite quando um número estranho me chamou no whatsapp.

- oi, aqui é joana. você é verônica, né?

respondi que sim e prontamente ela perguntou se eu tinha horário durante a semana.

- eu queria fazer umas fotos nuas, umas nudes profissionais, sabe? vi alguns trabalhos teus e adorei. -ela disse.

folheei a minha agenda e tinha um horário disponível na sexta a tarde. ela não titubeou e já me pediu para marcar: sexta às 15h.

a semana passou correndo e deu tempo de editar e entregar tudo e um pouco mais. estava animada pra fotografar joana, já fazia algum tempo que eu não fotografava um nu artístico. fiquei em dúvida em qual lente escolher, mas escolhi uma 24-70mm. coloquei um rivotril na bolsa, porque nunca se sabe, né?

cheguei na casa de joana no horário combinado. ela morava sozinha num apê no parnamirim. muitas plantas, piso de taco e um janelão na sala. me animei com o cenário, as fotos iam ficar bem boas.

joana estava com um vinho na mão e me perguntou se podia tirar a roupa. eu disse que sim e finalmente parei pra olhar a modelo do dia. porra, joana era bonita pra caralho. as fotos iam ficar lindas. ela me ofereceu uma taça e não recusei, era um rosé que eu amo.

- adoro esse vinho. -falei, levantando a taça.
- ai, que bom! é meu preferido. -ela disse colocando mais vinho na taça dela.

não perdi tempo e comecei a registrar aquele momento e aquela mulher. ela tirou a roupa, sentou perto da janela e eu nem precisei orientar muito. as fotos foram saindo naturalmente, conversamos sobre um monte de coisa, política, gilberto gil, wes anderson. ela abriu outra garrafa de vinho e já tinha ficado de noite. não vi a hora passar, mas não tinha compromisso e fui ficando. em algum momento, entre um monte de vinho rosé e um papo gostoso, joana me encarou foi muito direta.

- porra, que tesão. - ela disse.

cheguei pertinho dela e disse baixinho - né?.

ela deu um sorriso e me beijou gostoso. aff. que beijo bom, que mulher gostosa. continuamos nos beijando, língua, nuca, orelha. ela colocou a mão por debaixo da minha blusa e foi uma ótima ideia não usar sutiã naquele dia. senti a mão dela de leve no meu mamilo, que estava durinho. ela levantou a minha blusa e começou a massagear meus peitos enquanto beijava meu pescoço. eu podia sentir que estava molhada pra caralho. afastei as mãos dela e comecei a beijar seu pescoço. ela gemeu baixinho e eu desci para beijar seus peitos. passei a língua no mamilo dela, que também estava durinho e ela gemeu mais uma vez. chupei os peitos dela, porra que delícia. toquei na buceta dela, que também tava molhada e massageei o grelo. nos encaixamos direitinho e ela meteu dois dedos em mim. começou devagar e foi aumentando a velocidade. acompanhei o ritmo.

- me chupa. - ela disse entre gemidos.

parei de meter, deitei ela no chão com as pernas abertas. eu amo o cheiro de buceta. beijei primeiro as coxas, enquanto fazia carinho nelas. a medida em que a minha boca se aproximava da buceta dela, podia sentir que ela tava explodindo de tesão, assim como eu tava. comecei a chupar ela e aproveitei pra me masturbar. pude sentir a buceta dela pulsar enquanto ela gozava. com a respiração ofegante, ela pediu pra me chupar. me colocou na mesma posição que eu tinha colocado ela antes, e meteu em mim sem dó. que delícia. pediu pra que eu ficasse de quatro, e eu prontamente me ajeitei. me deu dois tapas e beijou o meu cu. gemi alto pra caralho, que tesão. depois começou a me chupar e como ela chupava gostoso. não aguentei dois minutos (eu acho) e gozei. pude sentir o gozo escorrendo por todo lugar. deitei e ela deitou ao meu lado. olhei pra ela e sorri.

- porra. - disse ofegante e sorrindo.

ela me deu um beijo na boca e eu correspondi ao beijo. tava pronta pra começar tudo de novo. tinha sido gostoso demais.

15 de novembro de 2018

primeiro encontro

"cruzei com tua mãe no corredor" você falou com meio sorriso na cara. eu não sabia o que pensar. eu não sabia o que pensar sobre muita coisa. naquele dia eu tinha planejado uma tarde inteira assistindo filme, mas não consegui fazer o download de tudo acontece em elizabethtown. você me perguntou porque eu queria assistir um filme tão romântico e me lembrou daquela cena que eles passam um tempão ao telefone. "que perda de tempo, né?" você disse. te chamei pra tomar um sorvete. que virou um café. que virou uma cerveja. mesmo numa segunda, mesmo debaixo de chuva. eu não tinha nada para fazer no dia seguinte, a gente conversava na mesma intensidade de duas pessoas que passaram dez anos sem se ver e precisavam colocar tudo em dia. olhei olho no olho pra você e sorri enquanto a gente ria sobre qualquer besteira que agora eu não lembro o que era. conversamos sobre o casal da mesa ao lado, que com certeza estava no primeiro encontro mas ninguém tinha coragem de beijar. eles eram muito bonitinhos. você me contou sobre seu pai, que te levou para aprender a andar de bicicleta em arcoverde. "por que tão longe?" te perguntei. você me contou sobre as histórias de terror que seu primo contava na antiga casa abandonada da sua vó, me falou que passou a acreditar em ET quando se perdeu no caminho entre a cachoeira e a fazenda onde passou parte da infância e também da vez que você e suas amigas -todas lésbicas- não puderam entrar num restaurante e vocês ficaram sem entender. já era tarde da noite, o bar estava quase fechando, quando você me pediu pra sentar mais perto e disse que eu ia acabar me molhando com a chuva, que tinha voltado a cair, se continuasse ali onde eu estava. continuamos conversamos, pedimos a saideira. estava muito distraída quando percebi que você não tirava os olhos de mim. tive vergonha -sempre tenho vergonha nesses momentos que antecedem um beijo-, você se aproximando, sua boca é tão linda. sem saber mais o que fazer, te beijei, de nervoso e de vontade. seu beijo tinha gosto de cerveja e cigarro de menta. quis te engolir, quis que você me engolisse. que delícia. depois da segunda saideira, você me disse que estava com muita vontade de dormir comigo. com a cara enfiada no seu pescoço, murmurei que também estava e perguntei se você não queria ir lá pra casa. você achou uma boa ideia e pedimos um uber. tive medo que ele nos expulsasse do carro enquanto trocávamos um monte de beijos. subimos, nos trancamos no meu quarto e acendi um incenso. deitamos juntas e nos olhamos. nos beijamos primeiro com o nariz, você sorriu pra mim. sua boca é tão linda. você me deu um beijo, passou pelo pescoço e desceu sua mão pelo meu corpo. seu toque era uma mistura de pesado e leve, fazia um carinho gostoso que me deixou arrepiada várias vezes. passou pela cintura, pelas costas, pela nuca, por meus seios. tirei sua blusa e você estava sem sutiã, apalpei seu peito esquerdo e passei com a mão por seu mamilo, você gemeu baixinho e então passei a língua por ele. sua mão desceu entre minhas coxas e eu fiquei ainda mais excitada, você passou com o dedo entre meus lábios -os de baixo- e eu estava molhada, você sorriu de lado e colocou dois dedos dentro de mim. gemi baixinho enquanto você ia e vinha pelo meu corpo. também te toquei e você também estava molhada. pediu para eu ir mais rápido. foi massa. você levantou meus braços - pensei por um microssegundo sobre o que você acharia dos meus pelos- e pediu para que eu fechasse os olhos. você me beijou e passou a língua por lugares que eu não esperava e foi muito gostoso, senti um arrepio diferente em cada toque. nós dormimos sem tomar banho, eu acho que eu estava meio bêbada. acordei com o sol que entrava pela janela que esqueci de fechar. sentei na cama e fiquei olhando os sinais das suas costas. tentei enxergar alguma constelação, não consegui. pouco tempo depois você acordou e sorriu pra mim, com uma voz rouca me deu bom dia. sorri de volta e você me perguntou se tinha alguém em casa, pois queria ir ao banheiro. imaginei que não tivesse ninguém e você foi enrolada numa toalha. eu não havia avisado a minha mãe que iria levar uma amiga.

12 de outubro de 2017

caetano veloso para embalar histórias de amor

o seu quarto cheirava a cigarro e incenso de alfazema. "é para purificação do ambiente", você disse lendo a caixa lilás. depois riu e contou que na verdade era para despistar o cheiro de maconha e de marlboro que ficava depois que você fumava. uma luz verde pulsava num dos cantos do quarto e você me chamou para sentar na sua cama.

olhei para a parede e perguntei sobre todas aquelas imagens coladas ali, meio galeria de arte. você me explicou cada uma delas e de onde vieram. "ah! aquele é de um museu que fui em buenos aires. eu gosto demais daquela cidade".

aí você me chamou pra mais perto. meio sem jeito, me deitei ao seu lado e você sorriu pra mim antes de começar a fazer carinho no meu ombro. borboletas voavam dentro do meu corpo inteiro e você percebeu quando me arrepiei.

tocava, claro, caetano veloso na vitrola que você tinha acabado de ganhar de presente dos seus avós. eu te contei sobre todas as vezes que meu pai me levava à praia ouvindo caetano a viagem inteira e só. daqui até serrambi. eu não me cansava de caetano. você sorriu e disse que certamente essa seria uma boa história para se transformar num poema.

talvez tenhamos passado horas falando sobre caetano veloso e toda aquela discografia que parecia infinita."mas eu prefiro jorge mautner", você concluiu e então me deu um beijo na boca e eu correspondi àquele beijo.

27 de junho de 2012

Maitê (você não sabe o que é o amor)

Maitê, eu tinha uma porrada de coisas pra fazer, mas preferi ficar olhando pra essas suas meias com estrelas coloridas, só porque você pediu.
Você de moletom, você me olha com desprezo, você cantarola "you don't know what love is" e ri da minha cara, você tem um belo par de peitos... e de olhos também.
Você me pede pra fazer carinho no seu cabelo cheiroso e aí você diz que estou embaraçando os fios. Você esnoba tudo de bacana que eu faço por você.
Olha, já fui rejeitado por muitas garotas antes, mas com você é diferente. Você é a pior de todas. Você gosta de me fazer de bobo. E eu fico aqui, sendo esse Narciso ao avesso, com essa de eterno apaixonado, escravo, otário, aprendiz de você, Maitê.
Você me atrapalha enquanto leio, você começa a chorar por um motivo desprezível no meio do jogo, você reclama dos filmes que eu escolho, você fala mal de Snow Patrol só pra me encher o saco.
Sua mãe não está em casa, o seu quarto está vazio, mas você nunca quer fazer amor comigo. Você mente pra todo mundo fazendo essa cara de mocinha que só eu sei que você não é. Você enjoada, você me pede pra ir embora.
E você não nega, e você se entrega quando diz:

"Volta amanhã."

19 de janeiro de 2012

Gabriela

Gabriela tomava o café em pequenos goles, parecia um passarinho. Ela era bonitinha. Conversávamos sobre poesia moderna e ela me disse que escrevia algumas coisas. Gabriela era inteligente, sabia uma porrada de coisas e o assunto fluía junto dela. Ela tinha conversa, das boas. Esse foi nosso primeiro encontro.

O segundo encontro foi diferente. Levei o violão, toquei algumas músicas, Gabriela sorriu e bateu palmas e cantou junto comigo. Paguei um sorvete pra nós dois e desatamos a conversar. Tocamos e cantamos algumas outras músicas.

Começamos a sair mais vezes e entre os encontros estavamos sempre dando um jeitinho de nos falar. Viramos amigos, fui almoçar na casa dela e ela conheceu minha mãe. Gabriela me tacava elogios, me enchia de abraço e tinha um cheiro muito gostoso de coisa doce. Gabriela era uma gracinha.

Gabriela tinha uma blusa de renda branca e uma sapatilha vermelha. Cara, como Gabriela era bonita! Como seu sorriso era lindo, e como o sol parecia sempre ser amigo dela, iluminando-a por onde quer que fosse. Ah, Gabriela...

A vida com Gabriela seria perfeita. Teríamos três filhos, moraríamos num apartamento de três quartos e com azulejos azuis. Tocaria violão pra ela na varanda enquanto tomávamos café. E por fim, envelheceriamos juntinhos, e assim ficaríamos até o fim.

Era dia 2 de maio, era uma sexta feira. Coloquei o meu melhor tênis e fomos na melhor cafeteria da cidade. Nunca tínhamos ido ali, era a primeira vez. Pedimos dois cafés gelados, eu não enrolei e fui logo ao ponto. Gabriela ficou quieta e pegou no cabelo, como sempre fazia quando estava nervosa. Eu ri do silêncio dela. Gabriela sempre gostou de fazer suspense.

Mas, ela respirou fundo e disse que não. Que não eram assim que as coisas deviam funcionar e que não dava. E ainda disse mais, que não era porque gostávamos das mesmas coisas que tínhamos sido feitos um para o outro. Gabriela me disse uma penca de coisas desagradáveis naquele dia e foi embora, deixando os dez reais pra pagar o café. Fiquei ali por mais um tempo, tentando digerir o que tinha acabado de acontecer.

Passei no mercado, comprei o uísque mais barato que encontrei e decidi que se era pra tomar um pé na bunda, que fosse bem tomado! Com direito a ressaca e choradeira. E assim foi.

Mas, Gabriela não se foi como o uísque daquela noite. Gabriela ficou pela casa, ficou viva no meu nariz, nos rostos das pessoas que na rua passavam, no canto dos pássaros, nos outdoors, nas músicas, nos sorrisos e onde quer que eu olhasse.

Gabriela não voltou mais.

24 de dezembro de 2011

bem cedinho

bom dia, meu amor. acordei mais cedo só pra te ver dormir. são cinco horas e aqui estou eu, te olhando e te sentindo e te amando. que preguiça. fico imaginando no que você está sonhando. deve ser um sonho bom, você está quase que sorrindo.

levanto da cama devagar, quase sem me mexer. o quarto ainda está escuro, mas a janela mostra que o sol já dá o ar de graça, rasgando um dia muito bonito. imagino que tão bonito quanto você, aí, toda encolhidinha, enrolada nesse lençol branco.

vou até a cozinha, coloco água na chaleira e olho o dia nascer. os passarinhos cantam no vizinho, sopra um vento bom no meu rosto e é fantástico ver o dia ganhar cor. bonito mesmo, minha linda. penso que só não desejo você vendo isso comigo agora, porque não queria te tirar da cama, o teu sono tá gostoso demais.

a chaleira apita. fico com medo que você desperte e logo apago o fogo. pó, água, as últimas gotinhas pingando no bule, o cheiro bom de café e você. você tem esse jeito que se mistura com tudo que é bom, e melhora todas as coisas.

tomo meu café ao som do último passarinho cantante, o apartamento já ganhou sua luz e, acredita que o jornal já chegou? volto ao quarto para te olhar mais um pouco, você continua do mesmo jeitinho. dou um beijo na tua bochecha, digo que te amo bem de mansinho e deito novamente ao teu lado. bom dia, meu amor.

7 de dezembro de 2011

passarinho no dia de número 7

Você acordou cheia de dengo, me pediu um café, ainda com os olhos fechados e voltou a dormir. Apareci meia hora depois com nossas canecas e bolo. Te dei um beijo e você imediatamente levou a mão ao rosto, sorrindo. Murmurou sobre minha barba e abriu os olhos devagarzinho. Que preguiça gostosa você exalava!

Como sempre, pegou a minha caneca e deu um gole no café. Suspirou e voltou a deitar. Disse que hoje estava com vontade de ficar na cama o dia inteiro e eu disse que um banho resolveria. Você deu um pulo e mordiscou a pontinha do bolo. Disse que ia pro banho e me deu um abraço bem demorado. Demorou uns quarenta minutos no banho e saiu de lá de pele gelada, cheirando à flor, e vestido colorido. Você é tão bonita.

O seu café já tinha esfriado e eu já tinha comido todo o bolo. Tomou suco e comeu abacaxi, parecia uma menininha se deliciando com o abacaxi. Prendeu o cabelo pra trás -você fica linda assim -e fomos experimentar o mundo.

Primeiro, paramos numa loja ali perto e compramos uns bombons de licor, comemos os bombons enquanto falávamos sobre o disco de Caetano que tínhamos ouvido na noite anterior. E passamos um tempo calados, só olhando a beleza que explode das ruas da cidade. A Imperatriz em dia de sábado parece pior que o Galo, tem gente de todo o tipo, de todo o cheiro, cores e sabores, como você diz. Você adora passear por ali, e eu também.

Subimos até a nossa loja preferida e o cheiro de música boa já toma conta da gente no segundo degrau. Ali tem discos do chão até o teto, pra todos os gostos. Vamos primeiro na estante de rock gringo e pouquíssima coisa nos agrada, partimos pra nossa favorita que é a de música nacional. De Noel à Titãs, a gente se diverte. No fim, ficamos com um de Caetano e outro de Legião.

Já em casa, é disco na radiola e macarronada cozinhando. Tomamos uma coca enquanto bate um vento frio.  Você diz que vai chover e me manda fechar as janelas. Eu, incrédulo, fecho tudo, como você pediu e não é que começa a cair uma senhora chuva!? Você é demais! Sua macarronada estava uma delícia, também.

Depois do almoço, você faz questão de deixar a cozinha nos trinques, enquanto eu fico no sofá pensando no filme que iremos assistir à tarde. Daí você se joga ao meu lado e eu te abraço, é como se tivesse abraçando uma coisa tão frágil que não dá pra soltar, e você me abraça de volta. E ao som da chuva e de um Caetano chiado e bem baixinho, nós dormimos assim, aninhados, com a certeza de que as coisas mais belas cabem num abraço.

13 de novembro de 2011

manhã

Acordo cedo e fico te esperando acordar. Você dorme quieta que nem passarinho. Um pouco mais tarde, tateia   a cama com os pés, em busca de meus pés. Você passa o braço por volta de mim e sorri, ainda não abriu os olhos. Ficamos desse jeito gostoso até você abrir os olhos. Te dou um beijo na testa, você se espreguiça e se levanta.

Faço café para nós dois, passo geleia nas fatias de pão e você chega na cozinha. Cheiro de banho novo e de pele fria. Você é tão bonita. Me agradece pelo café e conversamos sobre o filme da noite anterior.

Saímos para nossa caminhada matinal e brigamos no elevador. O motivo de hoje é a sua presença na festa daquele seu amigo da faculdade. Os vizinhos acreditam e abandonam o elevador na primeira oportunidade, morremos de rir quando ficamos sozinhos. Na rua, você encontra aquele poodle toy horrível do 702 e pergunta porquê não temos um também. Eu digo que ele é horroroso, você dá uma risada e me dá um tapa enquanto morde os lábios.

Você aponta para todas as casas que quer morar, e quando alguma tem uma placa de "vende-se", você enfatiza dando uma paradinha na frente. Escondido de você, já anotei todos os números de telefone estampados nas placas.

Voltamos pra casa e tomamos aquele banho que a gente adora. Você prepara uma salada, nós almoçamos cheios de gracejos e vou trabalhar.

No som do carro, escuto os Smiths enquanto penso em você.

1 de novembro de 2011

terça feira

Preciso parar de dormir nas tardes preguiçosas de terça feira à custa do teu colo vago. Ontem foi meio assim, amor. Você lia seu Neruda com um lápis na mão, vez ou outra riscava a página. Me aproveitei da tarde chuvosa e me aninhei no sofá, cabeça sobre tua coxa e você descansou a mão na minha barriga.

Não demorei pra dormir. Acordei no finalzinho da tarde, com aquela minha fome simpática e com o corpo todo doído. Você dormia. Parecia meio desconsertado no sofá. Não roncava e não acordou quando eu me retirei – com toda delicadeza que encontrei – do seu colo. Fui na cozinha, comi duas ou três uvas. Não satisfeita, meti a mão no pote de bombons e peguei umas cinco gotinhas de Hershey’s.

Voltei pro teu colo, mas não consegui dormir outra vez. Olhei pros teus pés cruzados em cima do pufe e sorri ao ver tuas unhas cortadas. Sempre detestei unhas grandes e fico feliz que você tenha adquirido algumas manias minhas, amor. Saí do teu colo outra vez e peguei o Neruda que estava no braço do sofá. Achei bonitas as partes que você grifou, pensei se você usaria uma daquelas frases comigo. Te dei um beijo na bochecha e fiquei encostada em teu peito por um tempo. Pensei numas músicas bonitas, na tua toalha molhada em cima da cama, no teu cheiro que nunca havia chegado em casa diferente.

Lá pelas seis, te preparei um café e te acordei de mansinho. Você sorriu bonito ao olhar pra mim, se espreguiçou e pegou a caneca das minhas mãos. Passou seu braço em volta de mim, sussurrou no meu ouvido: “sonhei com você, meu amor”. Olhei nos teus olhos castanhos e pensei no quanto eu era feliz por ser tua nessas tardes preguiçosas de terça feira e em todos os outros dias da semana. 

29 de setembro de 2011

Laís

Cinco horas da manhã e o sol pouco dava as caras. Laís dormia sob os meus lençóis. Olhei para ela, ela era tão bonita. Toda pequena e delicadinha. Sorri. Tinha em meus braços uma garota fantástica que não se incomodava em passar horas vendo filmes em preto e branco ou ouvindo The Who.

Lavei o rosto, preparei um café e fiquei observando o sol colorir o apartamento. Laís acordou, me encontrou na sala, ainda sonolenta e sentou-se no meu colo, sorriu pra mim, roubou o meu café. Naquele momento pensei que poderia dar a vida pela aquela mulher!
Como de costume, quando passava extensas temporadas em minha casa, Laís nos preparou um café da manhã e saiu para o trabalho. Pouco tempo depois, saí também. Voltei ao final do dia com o jantar. Hambúrgueres, os favoritos de Laís.

Laís não estava em casa, o que achei estranho. Mas, tempos depois, ela chegou. Perguntei o que tinha acontecido e ela disse que havia se enrolado no trabalho. Ofereci os hambúrgueres e ela disse que estava sem fome.
Foi ao banheiro, deixou o chuveiro por bastante tempo ligado e saiu de lá dizendo que ia embora, se desse voltava na próxima semana. Mas já?! Laís sempre dizia que adorava o tempo que passava aqui em casa. Resolvi não me opor.

Passaram-se os dias e Laís não aparecia. Não ligava, raramente atendia minhas ligações e pouco falava quando atendia. Havia algo de diferente na voz de Laís. Pensamentos avassaladores passavam pela minha cabeça. E uma súbita vontade de mandar Laís sumir de minha vida tomou conta de mim. Mas eu não podia fazer isso. Era Laís. Laís era excepcional. Laís era excepcional.

Dia, resolvi tomar satisfações. Fui até sua casa. Ela estava sozinha, lia Emily Brontë pela enésima vez. Perguntei o que estava acontecendo, porque ela estava agindo daquela maneira e se eu tinha feito algo errado. Ela me olhou com uma cara que misturava culpa e pena.

Disse que havia cansado. Cansou-se de mim. Que não era mais feliz ao meu lado e sentia um vazio. Laís se cansou de mim. Resolvi arriscar e pedi-la em casamento. Ela riu, riu um sorriso indecifrável e disse que não. Me deu um abraço e manteve os olhos no chão pelo curto tempo que fiquei ali, parado e sem ações.

Laís havia me deixado. Laís havia se cansado. Laís já não era mais minha, já não roubaria meus cafés nem sentaria no meu colo. Laís foi embora, escapou das minhas mãos sem eu nem perceber. Ela já tinha ido embora havia tempos.

19 de setembro de 2011

Retrato da mulher moderna

Soprou as trinta e sete velinhas do seu bolo. Estava ficando velha. Mal pode refletir sobre isso, mais uma rodada de Piña Colada chegava a sua mesa. Hoje o happy hour estava um saco. Já fazia um tempinho que o happy hour já não era mais happy.

Chegou em casa tarde. Hoje havia recebido tantos desejos de felicidades, esperava que realmente funcionassem. Sorriu e foi dormir. Acordou no meio do dia seguinte, com uma dor de cabeça fora de série. Preparou um café e um banho.

Enquanto se banhava, começou a refletir sobre esses trinta e sete anos de sua vida. Se sentiu só(rdida). Tinha vontade de se afogar naquelas gotinhas de água que caiam do chuveiro. Ela não tinha ninguém. Suas lágrimas somaram-se com as águas do banho. Salgadas.

Não importava que ela fosse a mulher mais respeitada da agência, nem que tivesse o carro mais caro do mercado e nem mesmo que transasse com o estagiário de vez em quando. Ela não era feliz. Tentou achar consolo na menina de vinte anos que ela foi um dia, aquela que fazia parte de um movimento feminista. Sorriu. Agora ela via que não fazia o tipo dela. Que toda aquela festinha comunista não passava de uma maneira de afogar as mágoas do grande amor da sua vida, que tinha ido embora.

Não que achasse impossível ser feliz ser ter alguém. Mas não era pra ela. Ela precisava de alguém. Precisava de dormir de conchinha e precisava de crianças correndo pela casa. Ela queria ser feliz. Estava cansada de ser quem era. A partir dali, seria uma mulher nova! Largaria a agência, iria viajar, conhecer lugares novos, um novo amor...

Em meio a planos pra o seu novo futuro, com o peito cheio de euforia, o celular tocou. Era o chefe dizendo que estava atrasada. Terminou o café e saiu correndo para o trabalho.

30 de agosto de 2011

meio completa

E lá estava sozinha no café. Lia Schopenhauer deliciada e parecia estar plena. E lá estava ele, curioso sem conseguir tirar os olhos da "Schopenhauerzinha". Se aproximou, pigarreou e ela nem sequer mexeu os olhos.

- Por que, você, tão linda, está sozinha? -perguntou enfim.
Ela olhou nos olhos dele e respondeu calmamente.
- Às vezes, a solidão é a melhor amiga do homem.

Não, aquilo não era um fora. Parecia mais um convite para sentar ali com ela, e foi isso mesmo que ele entendeu. Sentou-se sem cerimônias, ela achou engraçado e riu pra dentro.

Conversaram sobre Schopenhauer, e Hegel, e Nietzsche, e Freud, e Deus. Sobre João Gilberto, Truffaut e Bradbury. Trocaram email, telefone e Facebook.

Se despediram com um abraço e, de olhos nos olhos, acharam sua metade, cada um.

8 de agosto de 2011

A última vez que vi Érica

A primeira vez que vi Érica, estava chapado demais para reparar noutra coisa que não fossem seus peitos. Joguei uma de minhas cantadas vagabundas, mas logo parei de insistir, saindo atrás de novos peitos e bundas.

Vi Érica uma segunda vez na casa de um amigo. Me contaram de minha mau sucessão algumas noites antes e ainda sim, não desanimei e resolvi me aproximar. Nem precisei conversar muito pra que Érica se encontrasse nos meus braços enquanto eu a enchia de beijos.

Ela falava muito pouco, quase nada e o pouco que conversava era sobre a psicanálise de Freud. Mas Érica encantava a qualquer um; fosse discutindo Freud ou fosse pelos seus cachos e seu corpão, que deixava qualquer um boquiaberto. Érica era linda.

Ela nunca deixava nossos olhos se cruzarem, nem mesmo quando estávamos na cama. Com o tempo, continuava a falar pouco e sofria de variações constantes de humor. Mas, quase sempre me esperava em casa com um ou dois fumos prontinhos. Adorava isso!

Numa noite qualquer, discutíamos muito e entre lágrimas e acusações injustas de Érica contra mim, resolvi sair e só voltar quando ela estivesse mais calma.

Já estava tarde e a Real da Torre, assim como eu, estava vazia. Andei um pouco, por aqui e por ali. Logo voltei pra casa, pensando em dar um beijo em Érica e esquecer toda aquela confusão.

Quando cheguei, Érica estava dormindo, a caixa de Valium ao lado e o copo d’água, como de costume. Dei um beijo em sua bochecha fria e me deitei ao seu lado.

18 de março de 2011

A época mais distante

Me sirvo de mais um copo de vinho e dou mais uma tragada no último cigarro do maço. Devo estar dormindo ou quase isso. Devo estar dormindo com ratos. As imagens da minha infância começam a surgir na minha cabeça. É a primeira vez que estou bêbado e não penso em mulher. Não devo estar bêbado.

Minha lembrança mais antiga da infância é de meu pai. Meu pai tirando o cinto e gritando comigo por eu ter mexido na máquina de costura da minha mãe. Eu tinha uns seis anos. Meu pai nunca foi meu herói.

Tinhamos poucos momentos felizes. Lembrei de uma das raras vezes em que fomos à praia. Meu pai gostava da praia e lá, era uma pessoa completamente diferente do que era em casa. Brincamos na água, jogamos bola e ele me pagou um picolé. Até hoje me lembro do sabor, era de menta. Por esses e outros poucos e bons momentos eu sentia falta de ser criança.

O tempo passava rápido e logo me vi crescido. Nunca tive muitos amigos e muito menos, namoradas. E sempre fui o mais caçoado da turma por ser péssimo em futebol. Passava a maioria do meu tempo lendo ou ouvindo sermões do meu pai.

Da minha adolescência, a melhor lembrança é a de quando eu ganhei uma máquina de escrever. Eu era bom com as palavras, podia me tornar um grande escritor ou qualquer coisa assim. Eu gostava muito de escrever quando era moleque.

Certa vez, meu pai leu um dos meus textos. Ele não gostou. Disse que era um texto que não transmitia nada de bom à ninguém e me mandou seguir carreira no exército, que como escritor eu não ia dar em nada. Talvez ele estivesse certo.

E por fim, me tornei velho demais para depender dos meus pais. Me arrumei escrevendo para pequenos jornalistas locais, que usavam seus nomes em minhas matérias, ganhando pagamentos miseráveis, impossíveis de me garantir uma vida descente. E cá estou, morando num buraco imundo, cercado de garrafas vazias de vinho, bitucas de cigarros e ratos. Me tornando tudo que meu pai não quis que eu fosse.

24 de fevereiro de 2011

Diálogo com Beatriz na espera do ônibus

Ele levantou-se e declarou que ia embora.
- Mas já? Você acabou de chegar!
- Preciso ir. -mentira, ele não precisava ir.
- Fique um pouco mais e continue a me falar de Kafka. O próximo ônibus vai demorar a chegar. -menti.
Ele hesitou um pouco
- Tudo bem, peça mais um café e eu continuarei falando.
Pedimos mais um café e ele continuou falando sobre Kafka, que havia lido recentemente.
- Enfim, ele é inacreditável. -concluiu. -Agora, preciso ir, Beatriz.
Sem mais desculpas para fazer com que ele continuasse ali, o deixei ir.

Deixar com que ele fosse embora era uma das coisas mais difíceis a se fazer. Gostava de tê-lo por perto.
Eu não sei se ele pensava assim de mim também.

3 de fevereiro de 2011

Dia 3

Acordo cedo e olho pra ele esparramado na minha cama como se fosse sua própria cama.
Eu cansei de dele. Cansei de vê-lo deitado na minha cama, cansei dele assistindo futebol na minha tv e cansei dele tomando o meu sorvete. Aliás, por que é que ele gosta de sorvete? Isso é tão feminino.

Mas, por algum motivo, que eu mesma desconheço, não posso mandá-lo embora. Talvez seja porque eu precise dele para fazer algumas coisas que eu não posso fazer sozinha.

Elimino todo e qualquer pensamento sobre ele e vou até à cozinha. Na cafeteira ainda tem café. Café de ontem, café frio. Pego uma caneca no armário e despejo todo o café nela e levo ao microondas.

Enquanto tomo o café, agora quente, olho para a pilha de pratos sujos na pia. Apesar de sujos, a louça é branca. Eu cansei de louça branca. Que tipo de pessoa utiliza pratos brancos?

Há um espelho na sala. Eu olho meu reflexo. Cansei da minha cara, cansei do meu cabelo, cansei dos meus olhos e cansei dos meus peitos tamanho 42. Cansei de mim.

Quando vim morar sozinha, aprendi que é indispensável ter chocolates em casa. Há muito tempo não compro ou como chocolates.

E então, vou até a varanda. Me inclino no parapeito. A liberdade me parece convidativa. O voo me parece convidativo, vida sem monotonias ou saco cheio. Quero conhecer Nietzsche mais de perto no inferno.

- Eu adoro essa calcinha. -ouvi ele falar, então, me virei.

26 de janeiro de 2011

Sem título

Sete horas da manhã. Tomou um gole de café e acendeu o primeiro cigarro do dia. Precisava de um texto. Um conto, narrativa de fatos. Precisava viver fatos para escrever um conto. Um texto qualquer.

32 anos. Jornalista. Solteira.

Em pensar que aos 15, o futuro que esperava não era esse. Não todo esse. Jornalismo sempre fora uma aspiração. E o casamento também. Terminou que se dedicou demais. E não viveu nada do que queria. Lembrou-se de um texto que escreveu, sobre uma mulher que largava o marido e os filhos para se entregar a um amor aventureiro. Dera ela ter vivido isso. Dera ela ter a opção de escolher um dos dois. Dera ela ter a quem se entregar.

Uma longa tragada. Um suspiro. Olhou para alguns papéis na mesa. Contos já publicados nos folhetins do domingo. Todos sobre amor. Todos eram mentiras. Talvez, por tanto mentir sobre isso, tivesse parado de acreditar no amor. O que é irônico. Talvez nunca houvesse realmente amado. Talvez nunca houvesse sido realmente amada. E amores de adolescência não contavam.

Enquanto acendia o segundo cigarro, notou uma caixa velha em cima da estante. Com dificuldade a pegou. Nada demais, apenas páginas escritas por uma pequena menina que nada sabia sobre a vida. E ela, sabia? Talvez a menina, por sonhar, soubesse mais. Muito mais. Eram páginas cheias de sonhos, cheias de esperanças. Era ela, há um tempo. E da esperança, ainda restava um fio.

Respirou coragem e fumaça. Foi até o guarda-roupa, e tirou o seu vestido decotado, cheirando a naftalina. Lavou e engomou o vestido, que ficou esperando a noite chegar. No fim da tarde, tomou banho, penteou o cabelo, e se perfumou. Olhou-se no espelho. Desde quando aquelas rugas estavam ali? Nem havia notado. Passou mais pó do que o normal. E então, ousou colocar o vestido. Não ficou tão bom, quanto da ultima vez que ela o usou, mas ela não se incomodou. Saiu de casa, e foi em direção ao único bar que conhecia freqüentado por homens desacompanhados.

No meio de todas aquelas mocinhas sem virgindade, era página virada. Respirou mais uma vez. Coragem, cigarro e álcool. Sentou-se no balcão sem fazer pedido algum, acendeu um cigarro e esperou. Nada aconteceu. Nem na primeira, nem na segunda, nem na terceira noite. Terminou mentindo em mais um conto de domingo.

Depois de muitas noites, quase que desistindo e usando um vestido gasto, ela sentou-se no balcão mais uma vez, à espera de uma verdade. Acendeu um cigarro. E alguém perguntou o seu nome.

8 de janeiro de 2011

Natasha

Fazia frio. Um frio do caramba, pra falar a verdade. Era um daqueles dias que Recife só tem uma ou duas vezes ao ano. E ela estava um tanto que nervosa. Era jogo do Brasil. A estréia do Brasil na Copa deste ano. Ela nem gostava de futebol, mas aceitou assistir o jogo com ele mesmo assim. Ela gostava era dele. Então ela foi. Escolheu uma camiseta amarela e pôs um moleton verde por cima. Tradicionalmente. Ela não estava muito bonita. Ela nem era muito bonita. Mas mesmo assim…

Marcaram de se encontrar às duas. Embaixo do prédio dela. Ela o cumprimentou com uma abraço meio confuso. De lá, foram andando até um barzinho. Era um daqueles bares velhos, com cadeiras de madeiras, azuleijos coloridos e uma televisão enorme. E em conseqüencia da época, também estava enfeitado com bandeirinhas de São João verdes e amarelas.

“Que carnavalesco” —pensou.

Sentaram numa mesa com outros caras. Ele cumprimentou os outros de uma forma esquisita com as mãos e sentou numa cadeira, ao lado de outra cadeira vazia. Ela sentou-se ao seu lado. Ele sorriu pra ela, e ela sorriu pra ele. Ele apostava com os outros caras o resultado do jogo. Ela estava entediada.

Sua namorada? —perguntou um dos caras.

Não, não… —ele respondeu, sugestivo.

Bonita. —ao ouvir, ela ficou corada.

Finalmente a partida havia começado. Ela não entendia muito de futebol, mas sabia que o jogo tava uma merda… No fim do primeiro tempo, os garotos estavam putos. Xingaram Dunga e tudo que era relacionado a ele. Segundo tempo. Antes de começar, ele alertou:

Se o Brasil perder essa porra, eu viro uma Natasha todinha! —parou por um minuto e disse mais alguma coisa. —Não! Viro duas!

Ela não fazia a menor ideia do que era “Natasha”.

O jogo ia um pouco melhor… E então, a bola, inesperadamente entra na rede. E todo o bar vibra! Ela vibra junto. Ele vibra com ela. Ele a beija. Ela, acanhada, senta no seu lugar e sorri intimamente até o fim da partida. Sorri no segundo gol brasileiro, e até no único gol coreano. Ela simplesmente sorri. No fim da partida, todos os caras estavam bêbados, ou quase isso. Ele resolve leva-la para casa. No caminho, uma dúvida.

O que é Natasha? —ela pergunta.

Vodca. —ele responde... E a beija.

15 de outubro de 2010

Pedro e Camila

Dentre tantos beijos e apalpadas, não foi uma surpresa quando Camila sentiu a alça da camisa deslizar sobre seu ombro. Pedro tentava fazer isso com cuidado.

Eles pararam por um instante. Então, Pedro levou suas mãos até os seios de Camila, e com toda delicadeza possível os tocou.

As mãos dele estavam geladas. Camila sentiu aquele frio na barriga inusitado e já conhecido de primeira vez e sorriu constrangida para Pedro. Cada centímetro do seu corpo estava arrepiado.

Pedro sentia aquele frenesi, também típico... PEITOS! SEXO! CAMILA!

Sem muitas explicações, lágrimas começaram a rolar pela bochecha de Camila. Pedro não entendeu e ficou puto quando Camila cobriu-se com o lençol e sentou na beira da cama. Ela só não estava pronta.

23 de setembro de 2010

Vai sair?

                  – ela perguntou retirando os olhos do livro que lia.
- Vou comprar cigarros. –ele respondeu colocando o casaco.
- Já? Você comprou uma carteira nova ontem.
- É, mas já está acabando.
- Você vai perder a sensação de achar o último cigarro na carteira?
- Ficaria muito puto se passasse por uma situação assim.
- E então, quando você fumar o último cigarro, vai se dar conta de que é o último. Daí, você entrará em pânico e viverá a sensação de ter de comprar um novo maço.

Ele limpou a garganta fingindo prestar atenção.

- E essa sensação, –ela continuou – é a mesma que se tem ao fumar o primeiro cigarro. Prazer intenso.
- Bom, preciso comprar cigarros. Até logo. –ele disse, instantes depois.

Ela voltou os olhos ao livro e ele fechou a porta da frente.