sabe quando nietzsche fala do eterno retorno? penso que a partir disso, a gente vive o mesmo dia infinitas vezes. e é massa que, em algum tempo-espaço, eu viva esses momentos contigo infinitas vezes, de verdade.
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16 de setembro de 2025
25 de fevereiro de 2018
silêncio
você tateava meu corpo com dois dedos enquanto escutávamos macalé. acho que já estávamos há umas seis ou sete horas dentro do quarto. o lençol da sua cama estava todo amassado e já dava para ver duas das quatro pontas do colchão. às vezes eu sorria pra você e você sorria de volta. às vezes nossas respirações ficavam pesadas e às vezes eu sentia vontade de transar quando te olhava.
eu tentava beijar seus peitos mas você, ainda em silêncio, se esquivava e sorria pra mim como se dissesse "agora não". você continuou a tatear meu corpo com dois, três dedos, a mão inteira passava sobre meus cabelos, curtos. há pelo menos duas horas não trocávamos uma palavra. eu achei tão bonito quando você fechou os olhos para ouvir "vapor barato". você mordia seu lábio inferior e sorria, de olhos bem fechados.
comecei a cantarolar junto com a música e você me deu um beijo. mas foi como se estivesse tateando minha boca com a sua. afastei seu cabelo para o lado, te dei um beijo primeiro na bochecha, depois na sua boca e depois no seu pescoço. você sorriu meio boba e mostrou o braço todo arrepiado. te beijei com vontade, como se fosse a primeira vez.
sua mão percorreu meu corpo inteirinho, chegou aos meu peito e eu quis te beijar todinha. você sussurrou
- te amo.
e continuou a me beijar nos peitos.
eu tentava beijar seus peitos mas você, ainda em silêncio, se esquivava e sorria pra mim como se dissesse "agora não". você continuou a tatear meu corpo com dois, três dedos, a mão inteira passava sobre meus cabelos, curtos. há pelo menos duas horas não trocávamos uma palavra. eu achei tão bonito quando você fechou os olhos para ouvir "vapor barato". você mordia seu lábio inferior e sorria, de olhos bem fechados.
comecei a cantarolar junto com a música e você me deu um beijo. mas foi como se estivesse tateando minha boca com a sua. afastei seu cabelo para o lado, te dei um beijo primeiro na bochecha, depois na sua boca e depois no seu pescoço. você sorriu meio boba e mostrou o braço todo arrepiado. te beijei com vontade, como se fosse a primeira vez.
sua mão percorreu meu corpo inteirinho, chegou aos meu peito e eu quis te beijar todinha. você sussurrou
- te amo.
e continuou a me beijar nos peitos.
12 de outubro de 2017
caetano veloso para embalar histórias de amor
o seu quarto cheirava a cigarro e incenso de alfazema. "é para purificação do ambiente", você disse lendo a caixa lilás. depois riu e contou que na verdade era para despistar o cheiro de maconha e de marlboro que ficava depois que você fumava. uma luz verde pulsava num dos cantos do quarto e você me chamou para sentar na sua cama.
olhei para a parede e perguntei sobre todas aquelas imagens coladas ali, meio galeria de arte. você me explicou cada uma delas e de onde vieram. "ah! aquele é de um museu que fui em buenos aires. eu gosto demais daquela cidade".
aí você me chamou pra mais perto. meio sem jeito, me deitei ao seu lado e você sorriu pra mim antes de começar a fazer carinho no meu ombro. borboletas voavam dentro do meu corpo inteiro e você percebeu quando me arrepiei.
tocava, claro, caetano veloso na vitrola que você tinha acabado de ganhar de presente dos seus avós. eu te contei sobre todas as vezes que meu pai me levava à praia ouvindo caetano a viagem inteira e só. daqui até serrambi. eu não me cansava de caetano. você sorriu e disse que certamente essa seria uma boa história para se transformar num poema.
talvez tenhamos passado horas falando sobre caetano veloso e toda aquela discografia que parecia infinita."mas eu prefiro jorge mautner", você concluiu e então me deu um beijo na boca e eu correspondi àquele beijo.
olhei para a parede e perguntei sobre todas aquelas imagens coladas ali, meio galeria de arte. você me explicou cada uma delas e de onde vieram. "ah! aquele é de um museu que fui em buenos aires. eu gosto demais daquela cidade".
aí você me chamou pra mais perto. meio sem jeito, me deitei ao seu lado e você sorriu pra mim antes de começar a fazer carinho no meu ombro. borboletas voavam dentro do meu corpo inteiro e você percebeu quando me arrepiei.
tocava, claro, caetano veloso na vitrola que você tinha acabado de ganhar de presente dos seus avós. eu te contei sobre todas as vezes que meu pai me levava à praia ouvindo caetano a viagem inteira e só. daqui até serrambi. eu não me cansava de caetano. você sorriu e disse que certamente essa seria uma boa história para se transformar num poema.
talvez tenhamos passado horas falando sobre caetano veloso e toda aquela discografia que parecia infinita."mas eu prefiro jorge mautner", você concluiu e então me deu um beijo na boca e eu correspondi àquele beijo.
22 de setembro de 2017
como eu me apaixonei por você
- bem aqui, aos 5 ou 6 anos, eu ganhei minha primeira cicatriz. sangrou muito.
- como foi?
- fui atropelada por uma bicicleta. fiquei com medo de não conseguir tomar banho de mar no outro dia.
- e conseguiu?
- sim. mas lembro que ardeu demais.
- me conta outra coisa sobre tu.
- eu nunca comi jaca.
- como assim tu nunca comeu jaca?
- nunca comi. nunca quis provar.
- tu precisa provar. jaca é meio como dormir depois do almoço na rede.
- que delícia.
- sim. mas lembro que ardeu demais.
- me conta outra coisa sobre tu.
- eu nunca comi jaca.
- como assim tu nunca comeu jaca?
- nunca comi. nunca quis provar.
- tu precisa provar. jaca é meio como dormir depois do almoço na rede.
- que delícia.
11 de abril de 2012
4 de março de 2012
menina veneno
Acordei atrasado naquela quarta feira. Era verão e fazia calor, mesmo estando de manhã. Te procurei pelo quarto e você não estava lá. Havia tomado minha noite inteira contando histórias e tirando fotos nossas com o celular. Você parecia uma menina de sete anos num playground e aquilo me divertia infinitamente. Você me tomou a noite inteira e ainda acordou mais cedo que eu, espevitadinha que só você! Olhei pro relógio e marcavam 11 horas. Putz! Já não me recordava da última vez que acordei tão tarde assim.
Te procurei pela casa e te encontrei na cozinha, com os cachos fora do lugar, cheios de sono. Olhou pra mim com um olhar todo seu, sorriu e citou Chico, "muito sono de manhã". Você checava seus blogs favoritos e não demorou em dizer que sua autora preferida tinha lançado um post quentinho naquela manhã. Colocava as mãozinhas pequenas num pote de uvas verdinhas e se deliciava, do jeito que você gosta de fazer e eu gosto de observar.
Eu gosto de te observar, você é sempre tão delicadinha.
Perguntou o que eu queria pro café e eu pensei, abri a geladeira e tinha geleia. Nos deliciamos com frutinhas, pão e geleia. Depois, lavamos os pratos e ligamos o som. A primeira música do dia foi Sozinho, do Caetano, que você não gostou e escolheu a dedo Menina Veneno, olhou pra mim com uma carinha de quem ia aprontar e interpretou a música de maneira ímpar. Passamos por milhões de clássicos oitentistas e só sei que no final da manhã, tínhamos nos divertindo como nunca. Viver você é a experiência mais arrebatadora que tenho e estou adorando.
Esse mundo é pequeno demais pra nós dois, mas até que nos coube direitinho.
Te procurei pela casa e te encontrei na cozinha, com os cachos fora do lugar, cheios de sono. Olhou pra mim com um olhar todo seu, sorriu e citou Chico, "muito sono de manhã". Você checava seus blogs favoritos e não demorou em dizer que sua autora preferida tinha lançado um post quentinho naquela manhã. Colocava as mãozinhas pequenas num pote de uvas verdinhas e se deliciava, do jeito que você gosta de fazer e eu gosto de observar.
Eu gosto de te observar, você é sempre tão delicadinha.
Perguntou o que eu queria pro café e eu pensei, abri a geladeira e tinha geleia. Nos deliciamos com frutinhas, pão e geleia. Depois, lavamos os pratos e ligamos o som. A primeira música do dia foi Sozinho, do Caetano, que você não gostou e escolheu a dedo Menina Veneno, olhou pra mim com uma carinha de quem ia aprontar e interpretou a música de maneira ímpar. Passamos por milhões de clássicos oitentistas e só sei que no final da manhã, tínhamos nos divertindo como nunca. Viver você é a experiência mais arrebatadora que tenho e estou adorando.
Esse mundo é pequeno demais pra nós dois, mas até que nos coube direitinho.
5 de fevereiro de 2012
cenas de quinta feira a noite
Quinta feira a noite, enquanto você tentava ajeitar o projetor para assistirmos pela trigésima vez juntos aquele filme que a gente adora, coloquei "Carinhoso" pra tocar e fomos cantarolando junto com a música. Quando acabou, você olhou pra mim sorrindo e disse que a melhor parte de cantar a música comigo, era que seus olhos continuavam a sorrir e a me seguir e mesmo assim, eu não fugia de você.
É amor, e do jeito que as coisas são entre nós dois, isso não vai acontecer nunca e poderemos cantar só pela música ser bonita, mesmo.
É amor, e do jeito que as coisas são entre nós dois, isso não vai acontecer nunca e poderemos cantar só pela música ser bonita, mesmo.
29 de janeiro de 2012
uma vez eu pensei em te deixar
Amor, vou te contar uma coisa. Mas vê se não fica triste, por favor.
Uma vez, uma única vezinha, eu pensei em te deixar. Foi quando você chegou do trabalho e fechou a porta na minha cara, sem nem dar uma olhada pra mesa bonita que eu tinha colocado pra nós dois. É, foi a única vez que eu pensei em te deixar.
Segundos depois me senti o pior cara do universo. Você provavelmente estava cansada, deve ter tido algum aperreio e não queria conversa. Como pude pensar em ir embora de uma coisinha tão linda como você? Como pude pensar em ir embora dos teus olhos, do teu cheiro de coisa doce, das musiquinhas que você cantarola pra mim, do teu sorriso, do teu sono no meu colo... Das coisas que gosto tanto.
Amor, vou te dizer, tá raro encontrar alguém como você. Sou mais sortudo que um ganhador solitário da mega-sena! Me sinto mais feliz também.
Depois de ter batido a porta na minha cara, você a abriu, com os olhos vermelhos e inundados. Se jogou nos meus braços, fungou e agradeceu pela mesa bonita. O seu dia tinha sido realmente difícil, como supus, mas você elogiou pra caramba o meu jantar.
Antes de pensar em ir embora, pensarei em tudo que você é pra mim. E assim, nunca, nunca vou querer ir.
Uma vez, uma única vezinha, eu pensei em te deixar. Foi quando você chegou do trabalho e fechou a porta na minha cara, sem nem dar uma olhada pra mesa bonita que eu tinha colocado pra nós dois. É, foi a única vez que eu pensei em te deixar.
Segundos depois me senti o pior cara do universo. Você provavelmente estava cansada, deve ter tido algum aperreio e não queria conversa. Como pude pensar em ir embora de uma coisinha tão linda como você? Como pude pensar em ir embora dos teus olhos, do teu cheiro de coisa doce, das musiquinhas que você cantarola pra mim, do teu sorriso, do teu sono no meu colo... Das coisas que gosto tanto.
Amor, vou te dizer, tá raro encontrar alguém como você. Sou mais sortudo que um ganhador solitário da mega-sena! Me sinto mais feliz também.
Depois de ter batido a porta na minha cara, você a abriu, com os olhos vermelhos e inundados. Se jogou nos meus braços, fungou e agradeceu pela mesa bonita. O seu dia tinha sido realmente difícil, como supus, mas você elogiou pra caramba o meu jantar.
Antes de pensar em ir embora, pensarei em tudo que você é pra mim. E assim, nunca, nunca vou querer ir.
28 de janeiro de 2012
hoje de manhã eu acordei com um bilhete que dizia assim
"Ô, amor! Desculpa por ter te acordado pela madrugada. Queria te dizer que me ter por perto é assim mesmo. É te acordar às duas da manhã pra fazer arte e te fazer meter o pé na poça laranja de refrigerante que eu derrubei sem querer. Mas eu deixei o seu café e o seu pãozinho com manteiga prontos. Tá lá na cozinha.
Tenha um bom dia. Eu te amo."
é por essas e outras, que eu não me arrependo da escolha que fiz.
24 de dezembro de 2011
bem cedinho
bom dia, meu amor. acordei mais cedo só pra te ver dormir. são cinco horas e aqui estou eu, te olhando e te sentindo e te amando. que preguiça. fico imaginando no que você está sonhando. deve ser um sonho bom, você está quase que sorrindo.
levanto da cama devagar, quase sem me mexer. o quarto ainda está escuro, mas a janela mostra que o sol já dá o ar de graça, rasgando um dia muito bonito. imagino que tão bonito quanto você, aí, toda encolhidinha, enrolada nesse lençol branco.
vou até a cozinha, coloco água na chaleira e olho o dia nascer. os passarinhos cantam no vizinho, sopra um vento bom no meu rosto e é fantástico ver o dia ganhar cor. bonito mesmo, minha linda. penso que só não desejo você vendo isso comigo agora, porque não queria te tirar da cama, o teu sono tá gostoso demais.
a chaleira apita. fico com medo que você desperte e logo apago o fogo. pó, água, as últimas gotinhas pingando no bule, o cheiro bom de café e você. você tem esse jeito que se mistura com tudo que é bom, e melhora todas as coisas.
tomo meu café ao som do último passarinho cantante, o apartamento já ganhou sua luz e, acredita que o jornal já chegou? volto ao quarto para te olhar mais um pouco, você continua do mesmo jeitinho. dou um beijo na tua bochecha, digo que te amo bem de mansinho e deito novamente ao teu lado. bom dia, meu amor.
levanto da cama devagar, quase sem me mexer. o quarto ainda está escuro, mas a janela mostra que o sol já dá o ar de graça, rasgando um dia muito bonito. imagino que tão bonito quanto você, aí, toda encolhidinha, enrolada nesse lençol branco.
vou até a cozinha, coloco água na chaleira e olho o dia nascer. os passarinhos cantam no vizinho, sopra um vento bom no meu rosto e é fantástico ver o dia ganhar cor. bonito mesmo, minha linda. penso que só não desejo você vendo isso comigo agora, porque não queria te tirar da cama, o teu sono tá gostoso demais.
a chaleira apita. fico com medo que você desperte e logo apago o fogo. pó, água, as últimas gotinhas pingando no bule, o cheiro bom de café e você. você tem esse jeito que se mistura com tudo que é bom, e melhora todas as coisas.
tomo meu café ao som do último passarinho cantante, o apartamento já ganhou sua luz e, acredita que o jornal já chegou? volto ao quarto para te olhar mais um pouco, você continua do mesmo jeitinho. dou um beijo na tua bochecha, digo que te amo bem de mansinho e deito novamente ao teu lado. bom dia, meu amor.
7 de dezembro de 2011
passarinho no dia de número 7
Você acordou cheia de dengo, me pediu um café, ainda com os olhos fechados e voltou a dormir. Apareci meia hora depois com nossas canecas e bolo. Te dei um beijo e você imediatamente levou a mão ao rosto, sorrindo. Murmurou sobre minha barba e abriu os olhos devagarzinho. Que preguiça gostosa você exalava!
Como sempre, pegou a minha caneca e deu um gole no café. Suspirou e voltou a deitar. Disse que hoje estava com vontade de ficar na cama o dia inteiro e eu disse que um banho resolveria. Você deu um pulo e mordiscou a pontinha do bolo. Disse que ia pro banho e me deu um abraço bem demorado. Demorou uns quarenta minutos no banho e saiu de lá de pele gelada, cheirando à flor, e vestido colorido. Você é tão bonita.
O seu café já tinha esfriado e eu já tinha comido todo o bolo. Tomou suco e comeu abacaxi, parecia uma menininha se deliciando com o abacaxi. Prendeu o cabelo pra trás -você fica linda assim -e fomos experimentar o mundo.
Primeiro, paramos numa loja ali perto e compramos uns bombons de licor, comemos os bombons enquanto falávamos sobre o disco de Caetano que tínhamos ouvido na noite anterior. E passamos um tempo calados, só olhando a beleza que explode das ruas da cidade. A Imperatriz em dia de sábado parece pior que o Galo, tem gente de todo o tipo, de todo o cheiro, cores e sabores, como você diz. Você adora passear por ali, e eu também.
Subimos até a nossa loja preferida e o cheiro de música boa já toma conta da gente no segundo degrau. Ali tem discos do chão até o teto, pra todos os gostos. Vamos primeiro na estante de rock gringo e pouquíssima coisa nos agrada, partimos pra nossa favorita que é a de música nacional. De Noel à Titãs, a gente se diverte. No fim, ficamos com um de Caetano e outro de Legião.
Já em casa, é disco na radiola e macarronada cozinhando. Tomamos uma coca enquanto bate um vento frio. Você diz que vai chover e me manda fechar as janelas. Eu, incrédulo, fecho tudo, como você pediu e não é que começa a cair uma senhora chuva!? Você é demais! Sua macarronada estava uma delícia, também.
Depois do almoço, você faz questão de deixar a cozinha nos trinques, enquanto eu fico no sofá pensando no filme que iremos assistir à tarde. Daí você se joga ao meu lado e eu te abraço, é como se tivesse abraçando uma coisa tão frágil que não dá pra soltar, e você me abraça de volta. E ao som da chuva e de um Caetano chiado e bem baixinho, nós dormimos assim, aninhados, com a certeza de que as coisas mais belas cabem num abraço.
Como sempre, pegou a minha caneca e deu um gole no café. Suspirou e voltou a deitar. Disse que hoje estava com vontade de ficar na cama o dia inteiro e eu disse que um banho resolveria. Você deu um pulo e mordiscou a pontinha do bolo. Disse que ia pro banho e me deu um abraço bem demorado. Demorou uns quarenta minutos no banho e saiu de lá de pele gelada, cheirando à flor, e vestido colorido. Você é tão bonita.
O seu café já tinha esfriado e eu já tinha comido todo o bolo. Tomou suco e comeu abacaxi, parecia uma menininha se deliciando com o abacaxi. Prendeu o cabelo pra trás -você fica linda assim -e fomos experimentar o mundo.
Primeiro, paramos numa loja ali perto e compramos uns bombons de licor, comemos os bombons enquanto falávamos sobre o disco de Caetano que tínhamos ouvido na noite anterior. E passamos um tempo calados, só olhando a beleza que explode das ruas da cidade. A Imperatriz em dia de sábado parece pior que o Galo, tem gente de todo o tipo, de todo o cheiro, cores e sabores, como você diz. Você adora passear por ali, e eu também.
Subimos até a nossa loja preferida e o cheiro de música boa já toma conta da gente no segundo degrau. Ali tem discos do chão até o teto, pra todos os gostos. Vamos primeiro na estante de rock gringo e pouquíssima coisa nos agrada, partimos pra nossa favorita que é a de música nacional. De Noel à Titãs, a gente se diverte. No fim, ficamos com um de Caetano e outro de Legião.
Já em casa, é disco na radiola e macarronada cozinhando. Tomamos uma coca enquanto bate um vento frio. Você diz que vai chover e me manda fechar as janelas. Eu, incrédulo, fecho tudo, como você pediu e não é que começa a cair uma senhora chuva!? Você é demais! Sua macarronada estava uma delícia, também.
Depois do almoço, você faz questão de deixar a cozinha nos trinques, enquanto eu fico no sofá pensando no filme que iremos assistir à tarde. Daí você se joga ao meu lado e eu te abraço, é como se tivesse abraçando uma coisa tão frágil que não dá pra soltar, e você me abraça de volta. E ao som da chuva e de um Caetano chiado e bem baixinho, nós dormimos assim, aninhados, com a certeza de que as coisas mais belas cabem num abraço.
13 de novembro de 2011
manhã
Acordo cedo e fico te esperando acordar. Você dorme quieta que nem passarinho. Um pouco mais tarde, tateia a cama com os pés, em busca de meus pés. Você passa o braço por volta de mim e sorri, ainda não abriu os olhos. Ficamos desse jeito gostoso até você abrir os olhos. Te dou um beijo na testa, você se espreguiça e se levanta.
Faço café para nós dois, passo geleia nas fatias de pão e você chega na cozinha. Cheiro de banho novo e de pele fria. Você é tão bonita. Me agradece pelo café e conversamos sobre o filme da noite anterior.
Saímos para nossa caminhada matinal e brigamos no elevador. O motivo de hoje é a sua presença na festa daquele seu amigo da faculdade. Os vizinhos acreditam e abandonam o elevador na primeira oportunidade, morremos de rir quando ficamos sozinhos. Na rua, você encontra aquele poodle toy horrível do 702 e pergunta porquê não temos um também. Eu digo que ele é horroroso, você dá uma risada e me dá um tapa enquanto morde os lábios.
Você aponta para todas as casas que quer morar, e quando alguma tem uma placa de "vende-se", você enfatiza dando uma paradinha na frente. Escondido de você, já anotei todos os números de telefone estampados nas placas.
Voltamos pra casa e tomamos aquele banho que a gente adora. Você prepara uma salada, nós almoçamos cheios de gracejos e vou trabalhar.
No som do carro, escuto os Smiths enquanto penso em você.
Faço café para nós dois, passo geleia nas fatias de pão e você chega na cozinha. Cheiro de banho novo e de pele fria. Você é tão bonita. Me agradece pelo café e conversamos sobre o filme da noite anterior.
Saímos para nossa caminhada matinal e brigamos no elevador. O motivo de hoje é a sua presença na festa daquele seu amigo da faculdade. Os vizinhos acreditam e abandonam o elevador na primeira oportunidade, morremos de rir quando ficamos sozinhos. Na rua, você encontra aquele poodle toy horrível do 702 e pergunta porquê não temos um também. Eu digo que ele é horroroso, você dá uma risada e me dá um tapa enquanto morde os lábios.
Você aponta para todas as casas que quer morar, e quando alguma tem uma placa de "vende-se", você enfatiza dando uma paradinha na frente. Escondido de você, já anotei todos os números de telefone estampados nas placas.
Voltamos pra casa e tomamos aquele banho que a gente adora. Você prepara uma salada, nós almoçamos cheios de gracejos e vou trabalhar.
No som do carro, escuto os Smiths enquanto penso em você.
1 de novembro de 2011
terça feira
Preciso parar de dormir nas tardes preguiçosas de terça feira à custa do teu colo vago. Ontem foi meio assim, amor. Você lia seu Neruda com um lápis na mão, vez ou outra riscava a página. Me aproveitei da tarde chuvosa e me aninhei no sofá, cabeça sobre tua coxa e você descansou a mão na minha barriga.
Não demorei pra dormir. Acordei no finalzinho da tarde, com aquela minha fome simpática e com o corpo todo doído. Você dormia. Parecia meio desconsertado no sofá. Não roncava e não acordou quando eu me retirei – com toda delicadeza que encontrei – do seu colo. Fui na cozinha, comi duas ou três uvas. Não satisfeita, meti a mão no pote de bombons e peguei umas cinco gotinhas de Hershey’s.
Voltei pro teu colo, mas não consegui dormir outra vez. Olhei pros teus pés cruzados em cima do pufe e sorri ao ver tuas unhas cortadas. Sempre detestei unhas grandes e fico feliz que você tenha adquirido algumas manias minhas, amor. Saí do teu colo outra vez e peguei o Neruda que estava no braço do sofá. Achei bonitas as partes que você grifou, pensei se você usaria uma daquelas frases comigo. Te dei um beijo na bochecha e fiquei encostada em teu peito por um tempo. Pensei numas músicas bonitas, na tua toalha molhada em cima da cama, no teu cheiro que nunca havia chegado em casa diferente.
Lá pelas seis, te preparei um café e te acordei de mansinho. Você sorriu bonito ao olhar pra mim, se espreguiçou e pegou a caneca das minhas mãos. Passou seu braço em volta de mim, sussurrou no meu ouvido: “sonhei com você, meu amor”. Olhei nos teus olhos castanhos e pensei no quanto eu era feliz por ser tua nessas tardes preguiçosas de terça feira e em todos os outros dias da semana.
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