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16 de setembro de 2025

abril

sabe quando nietzsche fala do eterno retorno? penso que a partir disso, a gente vive o mesmo dia infinitas vezes. e é massa que, em algum tempo-espaço, eu viva esses momentos contigo infinitas vezes, de verdade.

4 de dezembro de 2018

sete

I.

lembro da primeira vez que fui à sua casa sozinha. secretamente estava feliz por nenhuma das nossas amigas poder ir também. naquela noite choveu como nunca mais tem chovido aqui. casa amarela amanheceu debaixo d'água e eu acordei ainda transbordando de felicidade por estar ali. sua mãe não gostou.

II.

decorei seu cheiro. fiz carinho no seu cabelo e te escrevi vários poemas. sonhei que transava com você muitas vezes, mas nunca te disse. achei que estava indo muito bem em fingir que não sentia nada. todo mundo percebeu.

III.

acabei o namoro mas ainda transava com ele. você não era bonita e demorava dias para responder. era a primeira vez que eu paquerava com uma menina. te chamei pra sair várias vezes, nunca te conheci.

IV.

disseram que a gente se parecia. nunca achei. me apaixonei, escrevi um texto, um poema, pensei em você ouvindo música e quando andava pelas ruas da cidade. falei de você para o mar. finalmente podia escrever para uma mulher sem fingir que era um homem. acho que você me acha uma idiota. queria te conhecer de novo.

V.

vesti uma roupa nova e todo mundo elogiou. beijei você, quer dizer, você me beijou. tava nervosa, era a primeira vez que beijava uma menina. te chamei pra sair outra vez mas nunca mais nos beijamos. daqui pra 2022 a gente se beija de novo.

VI.

tu era um dia azul na praia. tu não tinha nada a ver comigo. nada. mas a gente conversava sobre tudo. tudo. tu me beijou, fez carinho no meu ombro e não saiu mais de lá. tu me mostrou o mundo inteiro quando me mandou descer e calar a boca. tu me mostrou o outro lado do mundo também e eu fui embora.

VII.

eu devia ter percebido quando o dia começou em confusão.


29 de setembro de 2018

minas gerais

não tive tempo de perguntar qual teu filme favorito
nem o que significam todas essas tuas tatuagens
não tive tempo de te dar outro beijo
nem de conhecer o teu corpo e os teus sinais
não tive tempo de dizer como teu sorriso é bonito
nem de te contar como eu tava feliz com tanta novidade de vida
foi pouco tempo, não tive tempo pra quase nada
só tive tempo para escrever um poema

17 de agosto de 2018

primeira vez

a mão
o beijo
o sangue
seus dois dedos
causaram o caos em mim

queria fazer um poema
mas já passava das 5
[naquele dia]
e eu estava muito cansada

25 de fevereiro de 2018

silêncio

você tateava meu corpo com dois dedos enquanto escutávamos macalé. acho que já estávamos há umas seis ou sete horas dentro do quarto. o lençol da sua cama estava todo amassado e já dava para ver duas das quatro pontas do colchão. às vezes eu sorria pra você e você sorria de volta. às vezes nossas respirações ficavam pesadas e às vezes eu sentia vontade de transar quando te olhava.

eu tentava beijar seus peitos mas você, ainda em silêncio, se esquivava e sorria pra mim como se dissesse "agora não". você continuou a tatear meu corpo com dois, três dedos, a mão inteira passava sobre meus cabelos, curtos. há pelo menos duas horas não trocávamos uma palavra. eu achei tão bonito quando você fechou os olhos para ouvir "vapor barato". você mordia seu lábio inferior e sorria, de olhos bem fechados.

comecei a cantarolar junto com a música e você me deu um beijo. mas foi como se estivesse tateando minha boca com a sua. afastei seu cabelo para o lado, te dei um beijo primeiro na bochecha, depois na sua boca e depois no seu pescoço. você sorriu meio boba e mostrou o braço todo arrepiado. te beijei com vontade, como se fosse a primeira vez.

sua mão percorreu meu corpo inteirinho, chegou aos meu peito e eu quis te beijar todinha. você sussurrou

- te amo.

e continuou a me beijar nos peitos.

24 de setembro de 2017

a outra menina de gêmeos

lembrei de uma vez, na mc donalds,
que você pediu sorvete e batatinha
para comer ao mesmo tempo
disse que gostava de salgado e doce

e de quando eu te falei do show de caetano
você me disse que preferia gil
como quando eu te falei que ele parecia um dia de sol
e você disse que estava mais pra um fim de tarde

ou em agosto, no bairro da várzea,
quando te pedi pra ficar
você precisava ir embora

mas já?

12 de setembro de 2017

uma delícia, um incômodo

- eu gostei demais das coisas que ela escreve.

você falou e todos os esses que vinham da sua boca chiavam, como se você estivesse com a boca cheia de algodão doce. eu não te falei mais nada depois disso. você sorriu como quem dissesse que já tinha feito de tudo.

é, bia, se apaixonar é como comer algodão doce e ficar com as mãos muito grudentas depois. é como um acidente.

8 de setembro de 2017

rotina

atravessar as pontes da cidade com o vento batendo no cabelo e deixando tudo bagunçado. parar para observar os três prédios modernos e quadrados que se misturam com os casarões da rua do imperador. pensar em você. sentir o cheiro do rio, dar de cara com a aurora, com o cinema, com mais prédios quadrados e modernos. o teatro do parque. pensar em você. tomar um chá mate na imperatriz, olhar clarice lispector, imóvel, e querer tomar um café com ela. tu sabia que ela era de sagitário? achei que tu fosse gostar de saber disso. subir na loja de vinil, não achar nada de caetano. vendi o último quase nesse instante. tom zé é raridade, não acha em canto nenhum, tem esse de bethânia. eu não escuto muito bethânia. descobrir o refestança. encarar os olhos de rita lee, azuis, malucos. tu nunca me falou desse disco. levar as melhores canções de gil. personalidades. mais prédios modernos e quadrados, a rua que você mora. pensar em você. bem muito. ate cansar. subir no ônibus. que sorte seria se a gente se esbarrasse. buzina, laranja cravo, calor. pensar em você. chegar em casa. ouvir gil a tarde inteira pensando em você.

31 de agosto de 2017

quarta-feira

às vezes eu queria dormir pra ver se tudo isso passa. é um negócio que passa pelo meu peito e vai pro coração, depois para os meus ouvidos, minha cabeça. bem lá dentro da minha cabeça. são os instantes. sorrisos. os seus olhos inquietos e profundos. meu deus! sua careta dizendo que não gosta de bukowski (eu nunca sei escrever muito bem). seu sorriso quando eu te falei do meu pai. você olhando para os bebês na frente da igreja. a sua agonia me olhando (inquieta). minhas lágrimas em algum momento (talvez agora). e o seu silêncio agora. enquanto eu escrevo essas palavras. um oceano de silêncio, como se nós duas fossemos dois continentes. distantes. que nada tem a ver um com o outro. mas que eu tenho vontade de conhecer. meu deus, menina. o que você faz comigo?

28 de agosto de 2017

menina de gêmeos

- deixa eu colocar uma aqui.

já estava de manhã mas ainda estávamos ouvindo música. metade da festa dormia, metade estava bêbada demais para prestar atenção. a gente não. você colocou "com medo, com pedro" e disse que achava aquela uma das músicas mais lindas que gostava de ouvir.

- gil escreveu essa música pro neto dele. e é linda, porque é como se a gente tivesse medo de tudo, mas com pedro, parece que esse medo não existe mais, sabe? nem depois do fim do mundo, do fim de tudo. é como se pedro fosse uma proteção, como ter alguém assim.

você explicou. eu não sabia de nada daquilo e nunca tinha parado pra pensar na música daquela forma. depois você me disse que eu ia gostar da próxima e colocou "tigresa" para tocar.

mas aí você se levantou e foi conversar com outra menina.

10 de agosto de 2017

dia dos pais

painho gosta de fazer pipoca
eu gosto de comer pipoca
e ler um livro
mas eu não quero que o livro fique
engordurado de pipoca
painho gosta de comer pipoca
eu gosto de ler um livro
painho gosta de ler um livro
eu de comer pipoca
ler um livro
e de painho

8 de agosto de 2017

2 de agosto de 2017

dúvida

enquanto estamos perdidas nessa imensidão de silêncio, eu penso em você
e me dá arrepio só de olhar aquela tua foto, porque é um absurdo como você é bonita
aí eu fico me perguntando tantas coisas e sei lá quando a gente vai se falar de novo














(este poderia ter sido um diálogo)

27 de julho de 2017

desterro

É complicado. Eu nunca mais havia escrito nada na minha vida. Agora já estou no terceiro texto pois preciso transformar tanto sentimento em alguma coisa. Isso é desde que eu te conheci. Eu sinto uma constante vontade de chorar, mas não é porque estou triste. São muitas descobertas que não cabem dentro de mim.

Eu nunca tinha parado para ler nada de Drummond, mas olha só onde estou. Isso é algo que eu gosto de repetir porque eu nunca pensei que pudesse estar aqui novamente. Minha mãe tem uma biblioteca enorme, com muitos livros, mas só tem um de Drummond. Por sorte achei um trecho do poema que eu queria te mostrar. Mas eu nem sei se você gosta de Drummond.

Eu descobri que ela tem muitos livros de Mia Couto. Como eu te disse. É muita descoberta. E eu te achei linda. E eu coloquei a mesma música para tocar muitas vezes. Porque ela é linda. E me lembrou você.

Eu passei a tarde toda pensando em você.
Mas a verdade é que muita coisa não faz o menor sentido. Eu fico me perguntando, por exemplo, de onde veio tudo isso que eu ando sentindo. Como se todo esse sentimento fosse uma coisa muito intrusa dentro de mim.

Eu não posso definir como “amor”. Amor é o que eu sinto pelo meu último namorado. Você é algo mais como.

Descoberta.

É como descobrir todos aqueles livros de Mia Couto na estante da minha mãe. Ou passar a tarde procurando uma poesia de Drummond.

Eu não sei mais de nada, mas quando estava na praia, pedi para o mar que esse sentimento - que mistura medo, alegria, dúvida e descoberta - seja algo muito bom.

É muito bom estar de volta. E talvez isso seja muito mais sobre mim do que sobre você.

20 de julho de 2017

anita,

toda vez que eu sento na minha cama e leio as palavras que você escreveu, me sinto abraçada e com vontade de chorar. são lindas. eu penso: caralho. e não consigo pensar em mais nada.

19 de julho de 2017

um cão dos diabos

eu te falei que tinha desistido de escrever sobre amor. até que você entrou pela porta e perguntou se eu já tinha comprado o ingresso praquele show que eu queria ir tanto. te disse que ainda não, que ia esperar até o fim do mês e você sorriu pra mim e balançou a cabeça.

eu te falei que tinha desistido, mas sai do meu quarto e dei de cara com você na sala, coberta como qualquer bicho que hiberna no inverno enquanto lia pela milésima vez o livro de leminski que eu tinha te dado há uns quatro ou cinco meses.

é, eu tinha desistido mesmo e então você olhou séria pra mim dizendo que aquelas palavras eram como abraços que protegem a alma e o corpo. você apontou para o papel e disse que aquele poema de leminski que falava sobre amor lhe lembrava um poema de drummond que falava sobre amor. eu te disse que todas essas coisas sobre o amor eram na verdade resumidas numa frase de bukowski.

eu tinha te falado muitas e muitas vezes que não escreveria mais nada sobre amor, mas olha só onde estou.

18 de maio de 2017

Sofia

A primeira coisa que eu reparei em você foram as covinhas que seu rosto ganhava toda vez que você sorria. Eu só precisei de duas semanas para me apaixonar por você, e talvez nem estivesse tão apaixonada assim.

Dessa vez, foi tudo muito diferente.

Você não escutava as mesmas músicas que eu, você não assistia os mesmos filmes que eu, nós não frequentávamos os mesmos lugares, nem nossas ideias caminhavam para mesma direção. Você ficava sempre surpresa quando eu dizia alguma coisa sobre mim, porque nada do meu mundo fazia parte do seu. Era absurdo que mesmo com todas essas diferenças, eu ainda quisesse conquistar qualquer coisa em você.

O que mais me deixava pensativa em relação a você não eram todas essas nossas diferenças, não. Você era uma menina, eu era uma menina e todos aqueles sentimentos acabavam se misturando com a incerteza de que aquilo pudesse ser muito ilógico para você. 

Viramos amigas. Me sentia meio perdida em todas as festas que você me chamava pra ir, mas pelo menos dançávamos juntas e bebíamos a noite inteirinha. Eu até me divertia vendo com você todas aquelas comédias românticas que te faziam chorar. Nessas horas, acho que nossas diferenças sumiam e era bom viver todos aqueles momentos ao seu lado.

Eu gostava de fazer carinho no seu cabelo, na sua pele, que vibrava toda vez que eu te tocava, e de ficar olhando você fazendo o que quer que fosse. Ao mesmo tempo morria de medo que você desconfiasse que na verdade eu estava mesmo apaixonada por você. 

Nós nunca nos beijamos. Você nunca descobriu.

Nossa amizade acabou abrindo espaço para novas pessoas, comecei a namorar um cara mais velho e você seguiu sua vida. De forma tão crua quanto estas palavras que te escrevo.

Agora parece que todas aquelas nossas diferenças são como abismos, Sofia.

9 de agosto de 2016

Tom,

se entregar demais pode ser perigoso. Eu tenho muitas histórias sobre entrega. Todas elas doem em mim. Não é sobre achar a pessoa certa para amar, mas eu ainda não sei sobre o que é. A verdade é que eu não consigo, Tom. Eu não consigo não dar 100% de mim às pessoas que amo. Nem sempre eles vão te dar o mesmo em troca, essa é a verdade sobre todas as relações do mundo. Não receber o mesmo amor e carinho às vezes dói, mas as pessoas são diferentes e você está sujeito a isso. Não se poupe. Não poupe amor, não poupe carinho, não poupe elogios e não se poupe de mostrar a todo mundo como se sente. É importante.
É muito bom amar com sinceridade e com entrega.
Só tenha cuidado para que ninguém diminua seus sentimentos ou que te magoem a ponto de você ter medo de se sentir assim com qualquer outra pessoa.
Eu já fui magoada algumas vezes, bem muito. Mas eu não tenho vontade de desistir, eu não tenho medo... Entende? Amor é uma coisa muito grande pra guardar. Gosto de sentir. Espero que você goste. Espero que você goste dar seu amor de graça e encontre quem saiba recebê-lo e cuide dele.
Com amor.