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12 de setembro de 2017

uma delícia, um incômodo

- eu gostei demais das coisas que ela escreve.

você falou e todos os esses que vinham da sua boca chiavam, como se você estivesse com a boca cheia de algodão doce. eu não te falei mais nada depois disso. você sorriu como quem dissesse que já tinha feito de tudo.

é, bia, se apaixonar é como comer algodão doce e ficar com as mãos muito grudentas depois. é como um acidente.

10 de agosto de 2017

dia dos pais

painho gosta de fazer pipoca
eu gosto de comer pipoca
e ler um livro
mas eu não quero que o livro fique
engordurado de pipoca
painho gosta de comer pipoca
eu gosto de ler um livro
painho gosta de ler um livro
eu de comer pipoca
ler um livro
e de painho

8 de agosto de 2017

2 de agosto de 2017

dúvida

enquanto estamos perdidas nessa imensidão de silêncio, eu penso em você
e me dá arrepio só de olhar aquela tua foto, porque é um absurdo como você é bonita
aí eu fico me perguntando tantas coisas e sei lá quando a gente vai se falar de novo














(este poderia ter sido um diálogo)

28 de janeiro de 2012

hoje de manhã eu acordei com um bilhete que dizia assim

"Ô, amor! Desculpa por ter te acordado pela madrugada. Queria te dizer que me ter por perto é assim mesmo. É te acordar às duas da manhã pra fazer arte e te fazer meter o pé na poça laranja de refrigerante que eu derrubei sem querer. Mas eu deixei o seu café e o seu pãozinho com manteiga prontos. Tá lá na cozinha.
Tenha um bom dia. Eu te amo."

é por essas e outras, que eu não me arrependo da escolha que fiz. 

18 de dezembro de 2011

mais um ensaio sobre você

Entra pra ver como você deixou o lugar;
E o tempo que levou pra arrumar aquela gaveta.
Açúcar ou adoçante, Cícero

31 de maio de 2011

15 de maio de 2011

não

eu não quero escrever sobre amor pra você
eu não quero cantar
tudo belo que há

O românico em mim - Caravana do Delírio

10 de maio de 2011

(para Tom)

Hoje eu não tive um dia bom, Tom.
Hoje eu me senti tão só, tão vazia. Não é bom se sentir só. Ninguém gosta de se sentir sozinho no mundo. Todo mundo tem carência, e eu então...
Também senti sua falta, Tom. Uma pena que a lentidão do mundo nos impeça de viver juntinhos. Aí sim, eu nunca ia me sentir só.

E cá fico eu e aí fica você, esperando até o dia em que a gente vai se encontrar pra tocar a nossa vida.
Ah! Você não vai escapar de mim nesse dia, Tom! Vou te encher de beijinhos e mimos, não vou te soltar por um segundo sequer.
Amo tanto você!

24 de fevereiro de 2011

Diálogo com Beatriz na espera do ônibus

Ele levantou-se e declarou que ia embora.
- Mas já? Você acabou de chegar!
- Preciso ir. -mentira, ele não precisava ir.
- Fique um pouco mais e continue a me falar de Kafka. O próximo ônibus vai demorar a chegar. -menti.
Ele hesitou um pouco
- Tudo bem, peça mais um café e eu continuarei falando.
Pedimos mais um café e ele continuou falando sobre Kafka, que havia lido recentemente.
- Enfim, ele é inacreditável. -concluiu. -Agora, preciso ir, Beatriz.
Sem mais desculpas para fazer com que ele continuasse ali, o deixei ir.

Deixar com que ele fosse embora era uma das coisas mais difíceis a se fazer. Gostava de tê-lo por perto.
Eu não sei se ele pensava assim de mim também.

26 de janeiro de 2011

Quando eu era Lily Braun

Eu já fui borboleta, já fui Júlia, já fui Camila, já fui Clara e já fui Beatriz. Mas, de todas que já fui, a que mais gostei de ser foi Lily Braun.
Lily Braun não tinha segredos, não tinha mentiras e sorria de verdade. Lily Braun não sabia o quanto que era feliz. E quando era convidada pra sair, não precisava de mais nada.
Lily Braun sonhava... Adorava sonhar! Sonhava com coisas simples, mas tão belas.
Lily Braun tinha amigos, pai, mãe e uma boa reputação. O nome de Lily Braun nunca era desagradável de mencionar.
Lily Braun não podia voar e Lily Braun sabia disso.
Ai, que saudades eu tenho de ser Lily Braun.

Hoje, sou o que sobrou de todas que já fui um dia e sou também, grande parte de mim.

E sabe, crescer não é tão fácil como Lily Braun achou que fosse.

12 de janeiro de 2011

4 de janeiro de 2011

Vinis ao sol

Da última vez em nos encontramos, passeamos pelo centro da cidade, comemos sonho de padaria e ficamos olhando alguns discos de vinil cobertos pelo sol.
Foi uma tarde divertida, daquelas pra nunca mais.

Agora, essa tarde fica na lembrança. Naquele canto onde só as lembranças boas ficam.

Estou morrendo de saudades de você.

4 de dezembro de 2010

A primeira semana do mundo

"Criou Deus, pois, o homem à sua imagem" Gênesis 1:27.
Pode-se dizer que a humanidade tem início neste ponto. Ao menos, para grande maioria do mundo. Afinal, estamos diante do livro que rege muitas regras da sociedade há milhões de anos.

Porém, pode-se fugir da ideia comum de que fomos criados por um deus e partir para uma teoria onde se elimina esse deus e também, toda e qualquer ideia de criação intencional e definitiva, afirmando que a humanidade sempre esteve em constante mudança, evolução e transformação.

Para os que crêem nas ideologias biblícas, as implicações de tal teoria são arrasadoras, pois, se estiver correta, todas as ideias cristãs sobre o Universo e o lugar nele ocupado pelo homem serão destruídas. Desafiando assim, a visão religiosa da criação do mundo e até mesmo Deus, se é que isso é possível.

Mas, quando se coloca em pauta a humanidade e o tempo, surgem muitas perguntas e poucas respostas. E por mais que se procure entender, nunca se saberá ao certo desde quando estamos aqui e nem como surgimos. Até porque, a verdade é inalcançável.

27 de novembro de 2010

Coisa de menina/O baile num olhar

Eu viajava nos seus olhos. Era a primeira vez que eu reparava neles.
Eles eram azuis. Até então, azul nunca tinha sido minha cor favorita. Mas não um azul comum, era um azul suave e doce.

E os seus olhos dançavam empolgados, e eu senti vontade de entrar na dança.
Mas, já estva ficando tarde, e eu só reveria aqueles olhos dali a muito tempo.

23 de setembro de 2010

Vai sair?

                  – ela perguntou retirando os olhos do livro que lia.
- Vou comprar cigarros. –ele respondeu colocando o casaco.
- Já? Você comprou uma carteira nova ontem.
- É, mas já está acabando.
- Você vai perder a sensação de achar o último cigarro na carteira?
- Ficaria muito puto se passasse por uma situação assim.
- E então, quando você fumar o último cigarro, vai se dar conta de que é o último. Daí, você entrará em pânico e viverá a sensação de ter de comprar um novo maço.

Ele limpou a garganta fingindo prestar atenção.

- E essa sensação, –ela continuou – é a mesma que se tem ao fumar o primeiro cigarro. Prazer intenso.
- Bom, preciso comprar cigarros. Até logo. –ele disse, instantes depois.

Ela voltou os olhos ao livro e ele fechou a porta da frente.