12 de junho de 2010

Pormenores ou Carolina

Tudo era terrivelmente belo quando se tratava de Carolina. Seus olhos escuros e brilhantes e seus cabelos longos e agitados pelo vento... Ah, Carolina! Se Deus existe, Ele trabalhou tremendamente bem em Carolina.

Por onde quer que passasse, Carolina atraia o olhar de guris sedentos pelo seu belíssimo corpo. Inclusive o meu. Especialmente o meu.
E Carolina, por ser ingênua demais, ou por puro desinteresse não correspondia aos nossos olhares. O que nos fazia desejá-la mais e mais.
Nós sabiamos que Carolina nunca olharia para nenhum de nós. Carolina gostava dos caras mais velhos, de homens. E a diferença entre meninos e homens é brusca.

Magro e não muito alto, eu não costumava atrair o olhar de meninas. De nenhuma menina, para ser sincero. Principalmente o de Carolina. Eu tinha noção de que nunca a possuíria. Mas algo era maior que eu.
Numa dessas manhãs sem sol nem chuva, algo me fez ir até Carolina. Com toda coragem de um menino de 13 anos, resolvi que me declararia para ela.
Carolina me recebeu com um sorriso.

Carolina, eu amo você. -disse com dificuldade.

Ela me olhou incrédula, e nada falou por um bom tempo.

Eu não. -resolveu dizer, fria.

Não falamos mais nada. Eu não tinha o que falar. Estava desesperado. O que eu poderia dizer naquela hora? Lembrei de um filme que eu vi. O último filme que eu havia assistido.

Como é horrível e belo o dia que eu ainda não vi.

Essas foram as últimas palavras que eu disse a Carolina.

Hoje, Carolina é apenas uma lembrança. Uma lembrança que eu guardo carinhosamente. Uma lembrança horrível e bela.

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